O Dinheiro dos Tolos

Posted: October 28, 2014 in Ideologia
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Por Thomas Sowell, economista americano.

Um filósofo do século XVII, Thomas Hobbes, disse que as palavras são os contadores dos homens sábios, mas elas são o dinheiro dos tolos.

Isto é tão dolorosamente verdadeiro hoje como era há quatro séculos. Usar palavras como veículos para tentar transmitir o que você quer expressar,é muito diferente de tomar as palavras tão ao pé da letra, que as palavras é que lhe usam e confundem-no.

Pegue a simples expressão controle de aluguel”. Se você tomar essas palavras literalmente – como se fossem dinheiro no banco – você consegue uma completa distorção da realidade.

Nova York é a cidade com as leis mais antigas e mais firmes de controle de aluguel no país. São Francisco é a segunda. Mas se você olhar para as cidades com as maiores médias de aluguel, Nova York é a primeira e São Francisco é a segunda. Obviamente, as leis de “controle de aluguel” não controlam os aluguéis.

Se você verificar os fatos, em vez de confiar em palavras, você vai descobrir que as leis de controle de armamento” não controlam armas, os gastos de “estímulo” do governo não estimulam a economia, e que muitas políticas compassivas” infligem resultados cruéis, tais como a destruição da família negra.

Sabe quantos milhões de pessoas morreram na guerra para tornar o mundo seguro para a democracia” – uma guerra que levou à dinastias autocráticas sendo substituídas por ditaduras totalitárias que massacraram muito mais de seu próprio povo do que as dinastias o fizeram?

Palavras e expressões calorosas e difusas, têm uma enorme vantagem na política. Nenhuma teve tal sucesso político de longo prazo como justiça social”.

A idéia não pode ser refutada, porque não tem um significado específico. Combatê-la seria como tentar socar o nevoeiro. Não é de admirar que “justiça social” tem sido esse sucesso político há mais de um Século, e contando.

Embora o termo não tenha um significado definido, ele tem conotações emocionalmente poderosas. Há um forte senso de que simplesmente não é certo – que é injusto – que algumas pessoas estejam muito melhores na vida do que outras.

Justificação, tal qual o termo é usado em impressão e carpintaria, significa alinhar uma coisa com outra.

Mas qual o padrão pelo qual nós pensamos que renda ou outros benefícios devem ser alinhados?

A pessoa que passou anos na escola jogando conversa fora, aprontando ou brigando – desperdiçando as dezenas de milhares de dólares que os contribuintes investiram em sua Educação – deve supostamente terminar com sua renda alinhada à da pessoa que passou os mesmos anos estudando para adquirir conhecimentos e habilidades que, mais tarde, serão valiosos para si mesma e para a sociedade em geral?

Alguns defensores da “justiça social” diriam que o que é fundamentalmente injusto, é que uma pessoa nasça em circunstâncias que tornam as chances dessa pessoa na vida radicalmente diferentes das chances que outros tem – não por culpa de um e nem por mérito dos outros.

Talvez a pessoa que desperdiçou as oportunidades educacionais e desenvolveu comportamento auto-destrutivo teria terminado de modo diferente, se tivesse nascido em uma casa diferente ou uma comunidade diferente.

Isso seria, evidentemente, mais justo. Só que agora não estamos mais falando de justiça “social”, a menos que acreditemos que a culpa é toda da sociedade que diferentes famílias e comunidades tenham diferentes valores e prioridades – e que a sociedade pode “resolver” este “problema”.

Nem a pobreza ou educação deficiente podem explicar tais diferenças. Há indivíduos que foram criados por pais que eram ambos pobres e mal educados, mas que pressionaram os filhos a obterem educação que os próprios pais nunca tiveram. Muitos indivíduos e grupos não estariam onde estão hoje sem isso.

Todos os tipos de encontros ao acaso – com determinadas pessoas, informações ou todas as circunstâncias, tem marcado pontos de virada na vida de muitos indivíduos, seja em direção à realização ou à ruína.

Nenhuma dessas coisas é igual ou pode ser tornada igual. Se isso é uma injustiça, não é uma injustiça “social”, pois está além do poder da sociedade.

Você pode falar ou agir como se a sociedade fosse onisciente e onipotente. Mas, fazê-lo seria deixar as palavras se tornarem o que Thomas Hobbes as chamou, “o dinheiro dos tolos.”


Thomas Sowell é um dos meus autores prediletos.

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